Morreu hoje e deixou imensas saudades.
Veio para esta associação em circunstâncias muito peculiares.
Fui visitar uma senhora e ao olhar para o jardim
vejo um bode amarrado a uma árvore à torreira do sol,
sem água e sem comida.
Perguntei-lhe porque motivo o desgraçado estava naquelas circunstâncias
e a resposta que obtive foi, que ele lhe comia a fruta toda que estava nas árvores.
Logo a seguir ela perguntou-me se eu o queria levar e eu respondi-lhe que sim.
- E quando?- perguntou ela-
Agora- respondi eu.
- Mas como o vai levar?
- No meu carro.
Desamarrou-se o bode e colocou-se dentro do carro.
Mal se apanhou solto desatou aos pinotes de satisfação e às corridinhas.
Achámos que tinha focinho de Amaral e assim foi batizado.
Claro está que o meu carro ficou a cheirar a bode durante um mês
mas por fim o cheiro lá passou.
Desde que veio para esta associação o Amaral teve vida de burguês.
Comidinha e água com fartura sempre a horas.
Esteve connosco cerca de 10 anos.
Quando comprei duas cabras ao circo, casou várias vezes
e deixou uma prole de seis bodes.
Brincava muito connosco.
Bastava dar-lhe uma palmadinha no dorso ou puxar-lhe e abanar os chifres,
para ele se pôr em pé nas patas traseiras e arremeter contra nós
como se fosse dar-nos uma marrada.
Mas a propósito de marradas tinha algumas manias.
Um dia deu-me uma marrada a sério e atirou-me ao chão.
Fiquei com os joelhos esfolados e desde então estava sempre atenta quando estava ao pé dele,
com um olho no burro e outro no cigano,
não fosse dar-lhe um vaipe e levar outra marrada.
Não fui só eu a vítima porque ele deu marradas a outras pessoas.
Com o correr dos anos ficou mais calmo
e ultimamente via-se o Amaral envelhecer dia a dia.
Comia menos e já não dava as corridinhas malucas de antigamente.
Devagar foi-se apagando até que hoje partiu a dormir.
Saudações Amaral






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